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João Paulo Félix Atleta

João Paulo Félix Atleta

24
Set18

Nelson Barreiros - "O meu ilustre convidado de honra"

mesa_reflexoeseviagens

 

Nelson Barreiros (NB) além de ser um homem de grande coração é um atleta muito dedicado, muito focado.

 

Blog - Como é que apareceu a corrida na tua vida?

 

NB – A corrida apareceu pelo percurso que estava a fazer de perda de peso que começou com caminhadas, depois caminhadas intercaladas com a corrida, e depois começou a corrida e a paixão pela corrida… a 1ª prova de 7km, 10km a Meia…

 

Blog – Qual foi a 1ª Prova?

 

NB – Foi os 7km, a mini maratona, os 7km da Ponte 25 de Abril

 

Blog – A partir daí não paraste mais foi sempre a subir…

 

NB – Sim, comecei em 2010, os 10k da Corrida do Tejo, depois em 2012 a 1ª Meia Maratona, em 2013 a 1ª Maratona.

 

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Blog – Fazes outro trabalho em volta da Corrida? Não te dedicas só à Corrida propriamente dita, fazes ginásio, bicicleta, caminhas…

 

NB – Sim, alongamentos, o reforço muscular. O alongamento é essencial como complemento da corrida. Agora estou com uma lesão provocada pela falta de reforço muscular, um déficit de reforço na perna esquerda, um déficit de trabalho muscular, e agora estou a apostar muito no trabalho muscular, no reforço muscular para ter uma base consistente para evitar mais lesões no futuro.

 

Blog – Qual o próximo objectivo?

 

NB – A Maratona de Paris em Abril de 2019.

 

Blog – Uma Prova com muitos Atletas?

 

NB – Sim, 50 000 mil pessoas no sítio onde nasci. Uma promessa feita aos meus pais quando fizemos uma viagem a Paris para conhecer o sítio onde tinha nascido quando passei no centro de Paris disse “um dia venho aqui fazer a Maratona”. Foi há 4 anos, está na hora de cumprir a promessa.

 

Blog – Normalmente treinas quantos kms por semana?

 

NB – Depende muito do treino que estou a fazer. Quando treino para a Maratona no topo da preparação numa semana treino 70 a 80 kms.

 

Blog – Mais ginásio, mais natação…

 

NB –Sim, descanso 1 dia, 5 treinos por semana e 1 de reforço muscular.

 

Blog – Fazes muitos amigos no Desporto?

 

NB –Sim, o meu Clube é o NucleOeiras é um Clube formador de jovens que pega em jovens de bairros problemáticos e coloca-os a fazer desporto.

 

Blog – Quantos jovens é que estão no Clube?

 

NB – Cerca de 80 e saem para o Sporting  e para outros clubes maiores. Grande clube formador. Um grande trabalho do Paulo Dias treinador que dedica a vida a essa paixão pela Corrida e à formação… e venho para aqui. Aliás, 90% dos meus amigos do Facebook são das Corridas e isso diz tudo.

 

Blog – Esse trabalho que o teu clube faz é um trabalho muito importante inserir esses jovens…

 

NB – Devia de ser um caso de estudo para o Estado. Olhar para este exemplo e multiplicar este exemplo pelo País. O meio fundo cada vez tem menos atletas de topo.

 

Blog – Tens um lado muito solidário: uma pessoa muito humana, dedicada aos outros, corres por causas, este ano tens corrido pelo “Claramente Asperger” da Rita Nolasco. Fala-me um bocadinho dessa experiência...

 

NB – Correr por uma Causa é completamente diferente… eu fui fazer a 1ª Prova pelo “Claramente Asperger” no Estrangeiro - a Maratona de Sevilha - e correr por uma Causa dá-te aquela energia extra, aquela força extra quando quebras. Fui com pouca preparação, tinha estado lesionado, mas tinha-me comprometido fazer a prova. Fui lá e quebrei ao quilómetro 40 e o correr por uma causa muda tudo, é um compromisso que temos e muda tudo. Tem sido um prazer correr pelo “Claramente Asperger” e ajudar outras pessoas a concretizar os sonhos como tivemos o ano passado os “Homens da Maratona” – o João Ferreira e o Francisco Penim. Fui lá dar uma ajudinha para eles concretizarem o sonho de fazerem a maratona. Agora tenho outro Projecto que são sete mulheres muito ocupadas, mulheres de família, maioritariamente mães com uma agenda muito ocupada que estão a treinar para fazerem a sua 1ª maratona em 2019. São as “Mulheres da Maratona 2019”.

 

Blog – Tu és o obreiro?

 

NB – Sim, tive a ideia.

 

Blog –Gostas muito de ajudar os outros!

 

NB –Sim, houve alturas em que me ajudaram a concretizarem os sonhos agora está na altura de ajudar os outros. O sonho vai ser em Outubro de 2019 chegar com aquelas sete mulheres ao Terreiro do Paço e cortar a meta. Vai ser um momento único para elas e para mim. Tinha a ideia de convidar a minha irmã mas faltava um grupo que a motivasse, que fizessem que umas se apoiassem às outras. É um projecto a dois anos para terem tempo para prepararem como deve ser, ganharem alguma bagagem pois fazer uma maratona não é assim tão simples quanto isso.

 

Blog – Quais os hobbies que tens para além das Corridas?

 

NB – As corridas ocupam-me muito tempo…

 

Blog – Mas fazes voluntariado…

 

NB – Ah, sim, não estava a considerar com um hobbie porque considero uma missão ajudar os outros no Hospital S. Francisco de Xavier na Liga de Amigos. Estou lá há 4 anos e para mim é muito importante aquele trabalho que faço de ajudar os outros, ajudar quem não tem ninguém. Saio de lá sempre de alma cheia. Recebo muito mais do que aquilo que dou. Tenho o compromisso de ir lá semanalmente um dia ajudar. Vou fazer os jantares ou os almoços.

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Blog – Voltando ao desporto… Quais são para ti os Atletas de referência? Pode não ser só no atletismo…

 

NB – Carlos Lopes! Sempre foi o meu atleta preferido. Aquela Maratona de Los Angeles nos Jogos Olímpicos. Cada vez que penso na Maratona vem sempre a ideia de Carlos Lopes, um dos melhores atletas portugueses.

 

Blog – Em relação à Maratona de Paris qual o teu objectivo?

 

NB – A Maratona de Paris não é muito fácil de bater recordes…

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Blog – És muito focado nos tempos…

 

NB – Sim, o meu objectivo é sempre fazer melhor, cada vez melhor, para mim não há “impossíveis”

 

Blog – Estás mais focado na estrada? Dantes fazias uns trails… vais voltar a fazer uns trails?

 

NB – Sim, com este trabalho de reforço muscular estou a sentir-me cada vez mais forte a subir e é provável que volte. O último que fiz, o Trail do Sor, não correu lá muito bem (risos) com 40 e tal graus… aquilo foi muito duro. Acabei com os pés cozidos, completamente desfeito… desisti um bocadinho. Consigo motivar-me mais na estrada porque ando sempre atrás dos tempos, enquanto lá é pelo desafio. Em estrada estamos sempre a pensar em bater os 3:48 que é o meu record na maratona. Então estou mais focado para bater aquele tempo preciso de treinar “X” vezes por semana, fazer “X” kms e com a ajuda do meu treinador vamos conseguindo. Espero agora ter essas bases a nível do reforço muscular para voltar a competir a sério… competir contra mim próprio, não é contra ninguém

 

Blog – Uma história engraçada? Lembras-te de alguma?

 

NB – Na Meia da Golegã em que conheci o João Campos e duas atletas, duas atletas da Marinha, vínhamos os 3 no fim do pelotão… os 3 a curtir, os 3 não, os 4. Estava em baixo de forma, mas vínhamos a curtir na conversa…

 

Blog- Que valores é que associas à Corrida para além da solidariedade?

 

NB – A amizade, tenho grandes amigos na Corrida.

 

Blog – Numa única palavra “A Corrida é…”

 

NB – Vida.

 

Blog – Porquê?

 

NB – A Corrida salvou-me a vida os problemas de saúde que eu tinha senão fosse a paixão pela Corrida não sei como é que estaria agora. A Corrida para mim é a vida, salvou-me a vida.

 

Blog – Ajudou-te muito?

 

NB – Ajudou-me muito! Muito mais disponível para tudo… é outra vida, passar de 120kg para 77. Se não fosse a Corrida andava para aí todo atrofiado. 

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 Blog – Outros assuntos que queiras falar?

 

NB – Um dos grandes objectivos que tenho agora é cativar pessoas para correr. O Grupo das Mulheres da Maratona 2019, tentar trazer mais gente para o desporto. É complicado trazer as pessoas… as pessoas é têm que descobrir… dar o click, é o social, é o convívio com os outros é a amizade. Os amigos da corrida a única coisa que querem de ti é a paixão pela corrida. Tens ali um amigo verdadeiro. É um prazer correr com eles, encontra-los nas provas. Tenho uma amiga que é a Paula Madeira. Não combinamos encontramo-nos e na prova no meio de uma multidão quando olho para o lado lá está a Paula Madeira.

 

Blog – Que é uma das “Mulheres da Maratona”…

 

NB – Que acabou de ser mãe agora e vai fazer a Maratona em 2019. Não tenho qualquer dúvida que a Paula Madeira vai fazer a Maratona em 2019, ela e todas as outras, não tenho qualquer dúvida. Todas com mais ou menos dificuldade, vamos todos chegar ao Terreiro do Paço. E depois da Maratona tenho um Projecto dos 50 anos

 

Blog – Fala um bocadinho desse Projecto…

 

NB – Vai ser um projecto, dia 2 Novembro de 2019 em que vou… isso é uma ideia que já várias pessoas fizeram, vai ser “50 anos, 50km com amigos”. Vai ser em Lisboa, vai passar por sítios que me dizem alguma coisa, sítios de infância, adolescência, o meu 1º trabalho, a minha 1ª casa, a Universidade. Vai partir de um ponto e acabar noutro e os amigos vão-se juntar a fazer 50k como tu vais fazer, outros vão fazer…

 

Blog – É um gosto, é um gosto, para mim é uma honra

 

NB – Uns fazem 2km, 3km outros 10km outros uma Meia Maratona, outros vão dar águas, outros vão só petiscar. Vai começar algures e vai acabar em minha casa com uma grande festa e é uma maneira de me distrair dos 50 anos e juntar os amigos à volta da corrida.

 

Blog – Muito obrigado pela Entrevista! Muitas felicidades!

 

07
Set18

"O meu ilustre convidado de honra" - David Malva

mesa_reflexoeseviagens

 

Blog – Praticas desporto há muitos anos – quais os desportos que tens praticado ao longo deste anos?

 

David Malva (DM) – Com mais assiduidade ultimamente é as artes marciais é o karaté, também a corrida mas antes disso fiz badminton, passei pelo atletismo de pista, fiz um bocadinho de râguebi, um bocadinho de hóquei em patins, uma abordagem militar ao paraquedismo, como tu, alguma experiência de apneia, fui tentando diversificado a minha actividade para ficar mais conhecedor e ter novas experiências.

 

Blog – Neste momento estás a fazer um curso de treinador de atletismo?

 

DM – Sim, estou a fazer um Curso de Treinador de atletismo nível 1.

 

Blog – És Mestre de Artes Marciais?

 

DM – Não é Mestre, sou um treinador de karaté 2º grau… sou apenas 1 aprendiz embora tenha uma experiência de 30 anos de karaté.

 

Blog – Tens vários grupos com diferentes níveis de ensino? Tens jovens…

 

DM – Basicamente é de crianças e jovens. Estou-me a dedicar mais a essas faixas etárias. Os adultos hoje não estão a procurar muito karaté. É uma disciplina muito rígida em termos de rigor, em termos de repetições, e hoje em dia as pessoas não estão muito mentalizadas para o treino repetitivo, para o treino monótono que é aquele que de facto nos faz aprender, toda a gente quer aprender as coisas automaticamente, a sociedade anda a afastar-se um pouco das Artes Marciais mais tradicionais ou para áreas mias apelativas e imediatas tais como: o kickboxing, o muay  thai. Eu também alguma formação nessa área.

 

Blog – Além de estares a fazer a formação de Treinador de atletismo, és atleta, fazes diferentes provas de atletismo…

 

DM - … algumas provas da ATRP, não faço mais provas ao fim de semana por opção própria, também, por falta de agenda, tenho que conciliar as minhas actividades profissionais e desportivas, as várias artes e também entendo que quase com 50 anos e com uma abordagem tardia ao trail Running seria prematuro nesta fase estar a enveredar por uma carreira competitiva… uma perspectiva recreação muito assídua, o corpo precisa de muitos anos de adaptação eu ando nessa fase de adaptação do meu corpo de há 4 anos para cá porque estava habituado a esforços de que não têm nada haver com os esforços do trail running. Nas artes marciais os esforços são de curta duração e altíssima intensidade no trail running são respostas de longa duração e respostas de baixa e de média intensidade e o corpo demora o seu tempo a adaptar-se e, nessas coisas, eu prefiro ir com calma fazer poucas provas e boas ao longo do ano e, acima, de tudo, divertir-me muito.

 

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 Blog – Fazes um trabalho fantástico em Oliveira de Azeméis ao nível da descoberta, ao nível de trilho,s de história natural, história edificada isso é um fascínio muito grande que tens e quem acompanha… eu fiquei a conhecer Oliveira de Azeméis apesar de estar fisicamente contigo mas muito por aquilo que vais postando no Facebook fazes uma excelente divulgação da zona isto está ligado à tua área de organizador trabalhas no Centro de Marcha e Corrida e organizas muitas Provas no concelho.

 

DM – Sim, de há uns anos para cá fui convidado a ingressar como Técnico no Centro Municipal de Marcha e Corrida de Oliveira de Azeméis neste Projecto que se afigura como mais apetecível que me foi dada a liberdade para desenvolver foi precisamente o trail running e a caminhada na Óptica do desporto na natureza. Temos organizado imensas provas, temos trazido milhares de pessoas por ano a Oliveira de Azeméis e eu sou de facto um dos construtores dos trilhos. Também, organizo as Provas que na sua esmagadora maioria são provas não pagas muitas delas nem competitivas são, são free trails que nós organizamos com todo o gosto. O Centro Municipal de Marcha e Corrida oferece os seguros, oferece os reforços, e poe-me a mim a trabalhar nesta área e de facto ao longo de 4 anos que já vou nesta actividade tenho redescoberto coisas muito bonitas que as pessoas nem sabiam que existiam, estão no meio de silvados, no meio de mato, que é preciso que é preciso desbravar, ir lá para perceber o que é que lá está em baixo. Depois é preciso juntar as diversas peças do puzzle e tentar construir trilhos. Felizmente, Oliveira de Azeméis é um território muito bonito daí que o nosso trabalho também seja facilitado porque existe coisas bonitas e no compto geral as pessoas apreciam bastante os trilhos que nós apresentamos e ficam satisfeitas.

 

Blog – É um trabalho fantástico e com uma envolvência espetacular, com uma envolvência muito bonita e isso é um trabalho de ouro leva muitas pessoas ao Concelho e consegue mostrar muito da paisagem, as características naturais e tem um potencial enorme.

Fala-me da tua relação com a Serra da Freita…

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DM – É a minha Paixão! Eu sou natural de Coimbra, a minha mulher é natural da Figueira da Foz, e fomos colocados aqui em Oliveira de Azeméis. Quando saí de Coimbra, tinha saído há pouco tempo do Serviço Militar Obrigatório das Tropas Paraquedistas, tinha muito aquele gosto, como tu, de fazer as Provas topográficas, de pegar num mapa e numa bússola e ir à descoberta. Íamos os dois, começamos por fazer aos fins de semana, comprei as cartas militares, comprei uma bussola, comprei um GPS já muito antigo, conheci aqui uma pessoa - o Dr. Mário Araújo Ribeiro, que é um dos maiores conhecedores da Serra da Freita, e comecei a ir para lá e, de facto, foi uma paixão à primeira vista, e de facto a Serra da Freita é um ex libris das Serras em Portugal, não tem grande altitude mas a sua diversidade ao nível da fauna, flora, morfologia, as linhas de água, as vivências das pessoas, as aldeias nas serras, o facto de ter sido ocupada na pré-história, ter vias militares romanas, plantas insectívoras, vistas magnificas para a costa atlântica, desde a Figueira da Foz até ao norte do Porto, para Este, para Oeste, para Sul, sempre com vistas espantosas faz para mim uma Serra que me cativou bastante e ando lá há mais de 20 anos

 

Blog – Espetáculo! Sempre a descobrir?

 

DM – Sim, sempre a descobrir mas acima de tudo e depois tentar fazer a ligação da descoberta às pessoas que lá estão que lá estão neste momento, às pessoas que já estiveram o que é que faziam. Tive experiências fabulosas, de ter conhecido os últimos habitantes, o último casal que habitou a Drave, conheci a ultima habitante de uma aldeia muito perto da Drave que é o Pego, e falar com estas pessoas ouvir a história deles, partilhar um pouco do amor incondicional que eles tinham por aquela serra, aqueles locais ermos, muitas vezes tinham que fazer viagens de uma hora a pé, pessoas de 60 e 70 anos fazer viagens de uma hora a pé por caminhos de cabras para ir buscar a alimentação à aldeia mais próxima para sobreviver lá no meio da neve no inverno coisas incríveis que a nós hoje que vivemos no século XXI com todas as comodidades não concebemos sequer a agrura da vida para aquelas pessoas e a forma como elas conseguiam sobreviver e apesar do ambiente extremamente hostil, em que pouco ou nada tinham, o amor que as pessoas revelam pelo sitio onde viviam era comovente.

 

Blog – Sei que tens muito “arrumado” a tua ideia sobre o desporto. Quais são os valores que associas ao desporto?

 

DM – É complicado dizer isto porque as pessoas podem não compreender. Não dou muita importância à competição, tem que existir num período muito curto da vida do jovem. Para mim a competição em idades adultas tardias acho que já não faz muito sentido. Acho que a competição é para formar pessoas para incutir determinado valor. Hoje em dia quando olhamos para o mundo competitivo, salvo algumas excepções, aquilo que eu vejo é uma competição desleal não salutar que visa o lucro, a vitória a todo o custo, muitos interesses obscuros à volta de fenómenos competitivos, e de facto afasto-me um pouco dessa visão. O Desporto tem que servir para formar eixos sociais, equilibradamente sociais, pessoas que saibam estar na sociedade conviver com os outros de forma social e muitas vezes isso não está a acontecer.

 

Blog – Quais os próximos Desafios?

 

DM – É ir vivendo um dia um atrás do outro organizar aqui algumas Provas, continuar a redescobrir caminhos e a redescobrir pedras tentar perceber qual é a história daquelas pedras, qual é a história daquela queda de água…

 

Blog – Ainda há muito para descobrir em Oliveira de Azeméis?

 

DM – Sim, ainda há, o trabalho ainda está muito por fazer mas também o faço noutros locais na Serra da Freita vou começar a desenvolver a actividade na zona da Figueira da Foz tem lá zonas muito interessantes, fiquei fascinado com a Serra de Montejunto, fui à Serra D´Aires e Candeeiros, há assim vários locais que vale a pena investigar um pouco. Os meus objectivos passam por fazer algumas Provas aí na Serra D´Aire na Serra dos Candeeiros, na Serra Montejunto, Boa Viagem, Freita, Sicó, fazer umas Provas mas sem qualquer veleidade competitiva. Há Aquele corredor de trail que leva a sua máquina fotográfica, levo a máquina e então eu acho que é um disparate estar um dia fora sem mostrar nada do que fiz à minha mulher e ao meu filho, levo a máquina, se no meio da corrida tiver que parar para fazer umas filmagens às paisagens ou aos atletas que passam não tenho qualquer problema em fazer isso. Não tenho qualquer problema chegar à meta 4 ou 5h depois do 1º isso para mim não é muito relevante.

 

Blog – Queres acrescentar mais alguma coisa?

 

DM – Em termos de figuras de referência, uma das figuras é o Carlos Sá. Uma pessoa com quem partilhei algumas experiências e é um modelo de organizador, é um modelo de atleta, no qual eu me revejo é uma pessoa, extremamente, humilde, extremamente, simpática, uma pessoa muito afável, extremamente conhecedora, uma pessoa a quem o sucesso não estragou a cabeça, digamos assim. É daqueles modelos competitivos em que eu me revejo apesar das vitórias que ele conseguiu continua a ser uma pessoa extremamente bem integrada na sociedade.

 

Blog – É uma referência o Carlos Sá…

 

DM – Olha também me revejo na tua forma de estar, na forma como tu encaras os Desafios, na paixão que tu pões nos teus Desafios.

 

Blog – Obrigado!

 

DM – Não é naquela luta desenfreada eu fiz, eu consegui, é conseguires fazer as coisas com paixão ainda com aquela forma de fazer antiga… as pessoas hoje em dia não compreendem muito bem mas é manter a raiz do homem em relação ao mundo que o rodeia vamos conhecendo o mundo de forma espontânea, de forma natural e revejo-me muito na forma como tu o fazes.

 

Blog – Obrigado! Tu tens uma experiência enorme na área do desporto!

 

Fala-me um bocadinho da relação com os Paraquedistas… o que é que aprendeste que possas utilizar numa “Prova dura”?

 

DM – A experiência nas Tropas Paraquedistas foi extremamente enriquecedora, foi um marco, eu acho que é um marco para todas as pessoas que por lá passam, ninguém foi para lá obrigado as pessoas vão para lá voluntariamente e concorde-se ou não com algumas coisas que lá se passaram o facto é que aquilo tentava nos preparar. Visa a preparação do individuo para a superação (por vezes, pode acontecer a morte no campo de batalha). Esse processo de treino pelo qual nós passávamos físico e psicológico foi muito importante na minha vida, compreendi até que ponto é que poderia ir, percebi que quando os músculos dizem que já não podes mais a cabeça diz que podemos continuar, a nossa determinação é que nos faz ir um pouco mais além e isso reflete-se nas provas, nos treinos que nós fazemos. Foi uma grande escola de vida.

 

Blog – Fantástico! Foi um privilégio, foi aí que te conheci e deixa-me dizer-te que admiro-te muito, a tua honestidade e a forma como estás nas diferentes áreas do desporto, esse teu humanismo a forma séria de estares nas coisas…  séria, frontal, isso é uma capacidade de facto inata.

 

DM – Eu tento ser 1 pouco assim pela educação que recebi do meu pai, da minha mãe, pelos familiares maternos que eram católicos mas infelizmente nem todo a gente gosta (risos), da forma como… há pessoas que não gostam de todo de pessoas honestas e sinceras… é o mundo e as pessoas vivem nele.

 

Blog – Ganda Malva, és o maior! Acho que esta é a 1ª das conversas porque ainda vou convidar-te lá para a frente para outras conversas, sobre as tuas descobertas, e espero acompanhar-te a Drave, temos que agendar Drave.

 

DM – (risos) tu é que tens que agendar!

 

Blog – Muito obrigado pela Entrevista!

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