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João Paulo Félix Atleta

João Paulo Félix Atleta

07
Set18

"O meu ilustre convidado de honra" - David Malva

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Blog – Praticas desporto há muitos anos – quais os desportos que tens praticado ao longo deste anos?

 

David Malva (DM) – Com mais assiduidade ultimamente é as artes marciais é o karaté, também a corrida mas antes disso fiz badminton, passei pelo atletismo de pista, fiz um bocadinho de râguebi, um bocadinho de hóquei em patins, uma abordagem militar ao paraquedismo, como tu, alguma experiência de apneia, fui tentando diversificado a minha actividade para ficar mais conhecedor e ter novas experiências.

 

Blog – Neste momento estás a fazer um curso de treinador de atletismo?

 

DM – Sim, estou a fazer um Curso de Treinador de atletismo nível 1.

 

Blog – És Mestre de Artes Marciais?

 

DM – Não é Mestre, sou um treinador de karaté 2º grau… sou apenas 1 aprendiz embora tenha uma experiência de 30 anos de karaté.

 

Blog – Tens vários grupos com diferentes níveis de ensino? Tens jovens…

 

DM – Basicamente é de crianças e jovens. Estou-me a dedicar mais a essas faixas etárias. Os adultos hoje não estão a procurar muito karaté. É uma disciplina muito rígida em termos de rigor, em termos de repetições, e hoje em dia as pessoas não estão muito mentalizadas para o treino repetitivo, para o treino monótono que é aquele que de facto nos faz aprender, toda a gente quer aprender as coisas automaticamente, a sociedade anda a afastar-se um pouco das Artes Marciais mais tradicionais ou para áreas mias apelativas e imediatas tais como: o kickboxing, o muay  thai. Eu também alguma formação nessa área.

 

Blog – Além de estares a fazer a formação de Treinador de atletismo, és atleta, fazes diferentes provas de atletismo…

 

DM - … algumas provas da ATRP, não faço mais provas ao fim de semana por opção própria, também, por falta de agenda, tenho que conciliar as minhas actividades profissionais e desportivas, as várias artes e também entendo que quase com 50 anos e com uma abordagem tardia ao trail Running seria prematuro nesta fase estar a enveredar por uma carreira competitiva… uma perspectiva recreação muito assídua, o corpo precisa de muitos anos de adaptação eu ando nessa fase de adaptação do meu corpo de há 4 anos para cá porque estava habituado a esforços de que não têm nada haver com os esforços do trail running. Nas artes marciais os esforços são de curta duração e altíssima intensidade no trail running são respostas de longa duração e respostas de baixa e de média intensidade e o corpo demora o seu tempo a adaptar-se e, nessas coisas, eu prefiro ir com calma fazer poucas provas e boas ao longo do ano e, acima, de tudo, divertir-me muito.

 

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 Blog – Fazes um trabalho fantástico em Oliveira de Azeméis ao nível da descoberta, ao nível de trilho,s de história natural, história edificada isso é um fascínio muito grande que tens e quem acompanha… eu fiquei a conhecer Oliveira de Azeméis apesar de estar fisicamente contigo mas muito por aquilo que vais postando no Facebook fazes uma excelente divulgação da zona isto está ligado à tua área de organizador trabalhas no Centro de Marcha e Corrida e organizas muitas Provas no concelho.

 

DM – Sim, de há uns anos para cá fui convidado a ingressar como Técnico no Centro Municipal de Marcha e Corrida de Oliveira de Azeméis neste Projecto que se afigura como mais apetecível que me foi dada a liberdade para desenvolver foi precisamente o trail running e a caminhada na Óptica do desporto na natureza. Temos organizado imensas provas, temos trazido milhares de pessoas por ano a Oliveira de Azeméis e eu sou de facto um dos construtores dos trilhos. Também, organizo as Provas que na sua esmagadora maioria são provas não pagas muitas delas nem competitivas são, são free trails que nós organizamos com todo o gosto. O Centro Municipal de Marcha e Corrida oferece os seguros, oferece os reforços, e poe-me a mim a trabalhar nesta área e de facto ao longo de 4 anos que já vou nesta actividade tenho redescoberto coisas muito bonitas que as pessoas nem sabiam que existiam, estão no meio de silvados, no meio de mato, que é preciso que é preciso desbravar, ir lá para perceber o que é que lá está em baixo. Depois é preciso juntar as diversas peças do puzzle e tentar construir trilhos. Felizmente, Oliveira de Azeméis é um território muito bonito daí que o nosso trabalho também seja facilitado porque existe coisas bonitas e no compto geral as pessoas apreciam bastante os trilhos que nós apresentamos e ficam satisfeitas.

 

Blog – É um trabalho fantástico e com uma envolvência espetacular, com uma envolvência muito bonita e isso é um trabalho de ouro leva muitas pessoas ao Concelho e consegue mostrar muito da paisagem, as características naturais e tem um potencial enorme.

Fala-me da tua relação com a Serra da Freita…

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DM – É a minha Paixão! Eu sou natural de Coimbra, a minha mulher é natural da Figueira da Foz, e fomos colocados aqui em Oliveira de Azeméis. Quando saí de Coimbra, tinha saído há pouco tempo do Serviço Militar Obrigatório das Tropas Paraquedistas, tinha muito aquele gosto, como tu, de fazer as Provas topográficas, de pegar num mapa e numa bússola e ir à descoberta. Íamos os dois, começamos por fazer aos fins de semana, comprei as cartas militares, comprei uma bussola, comprei um GPS já muito antigo, conheci aqui uma pessoa - o Dr. Mário Araújo Ribeiro, que é um dos maiores conhecedores da Serra da Freita, e comecei a ir para lá e, de facto, foi uma paixão à primeira vista, e de facto a Serra da Freita é um ex libris das Serras em Portugal, não tem grande altitude mas a sua diversidade ao nível da fauna, flora, morfologia, as linhas de água, as vivências das pessoas, as aldeias nas serras, o facto de ter sido ocupada na pré-história, ter vias militares romanas, plantas insectívoras, vistas magnificas para a costa atlântica, desde a Figueira da Foz até ao norte do Porto, para Este, para Oeste, para Sul, sempre com vistas espantosas faz para mim uma Serra que me cativou bastante e ando lá há mais de 20 anos

 

Blog – Espetáculo! Sempre a descobrir?

 

DM – Sim, sempre a descobrir mas acima de tudo e depois tentar fazer a ligação da descoberta às pessoas que lá estão que lá estão neste momento, às pessoas que já estiveram o que é que faziam. Tive experiências fabulosas, de ter conhecido os últimos habitantes, o último casal que habitou a Drave, conheci a ultima habitante de uma aldeia muito perto da Drave que é o Pego, e falar com estas pessoas ouvir a história deles, partilhar um pouco do amor incondicional que eles tinham por aquela serra, aqueles locais ermos, muitas vezes tinham que fazer viagens de uma hora a pé, pessoas de 60 e 70 anos fazer viagens de uma hora a pé por caminhos de cabras para ir buscar a alimentação à aldeia mais próxima para sobreviver lá no meio da neve no inverno coisas incríveis que a nós hoje que vivemos no século XXI com todas as comodidades não concebemos sequer a agrura da vida para aquelas pessoas e a forma como elas conseguiam sobreviver e apesar do ambiente extremamente hostil, em que pouco ou nada tinham, o amor que as pessoas revelam pelo sitio onde viviam era comovente.

 

Blog – Sei que tens muito “arrumado” a tua ideia sobre o desporto. Quais são os valores que associas ao desporto?

 

DM – É complicado dizer isto porque as pessoas podem não compreender. Não dou muita importância à competição, tem que existir num período muito curto da vida do jovem. Para mim a competição em idades adultas tardias acho que já não faz muito sentido. Acho que a competição é para formar pessoas para incutir determinado valor. Hoje em dia quando olhamos para o mundo competitivo, salvo algumas excepções, aquilo que eu vejo é uma competição desleal não salutar que visa o lucro, a vitória a todo o custo, muitos interesses obscuros à volta de fenómenos competitivos, e de facto afasto-me um pouco dessa visão. O Desporto tem que servir para formar eixos sociais, equilibradamente sociais, pessoas que saibam estar na sociedade conviver com os outros de forma social e muitas vezes isso não está a acontecer.

 

Blog – Quais os próximos Desafios?

 

DM – É ir vivendo um dia um atrás do outro organizar aqui algumas Provas, continuar a redescobrir caminhos e a redescobrir pedras tentar perceber qual é a história daquelas pedras, qual é a história daquela queda de água…

 

Blog – Ainda há muito para descobrir em Oliveira de Azeméis?

 

DM – Sim, ainda há, o trabalho ainda está muito por fazer mas também o faço noutros locais na Serra da Freita vou começar a desenvolver a actividade na zona da Figueira da Foz tem lá zonas muito interessantes, fiquei fascinado com a Serra de Montejunto, fui à Serra D´Aires e Candeeiros, há assim vários locais que vale a pena investigar um pouco. Os meus objectivos passam por fazer algumas Provas aí na Serra D´Aire na Serra dos Candeeiros, na Serra Montejunto, Boa Viagem, Freita, Sicó, fazer umas Provas mas sem qualquer veleidade competitiva. Há Aquele corredor de trail que leva a sua máquina fotográfica, levo a máquina e então eu acho que é um disparate estar um dia fora sem mostrar nada do que fiz à minha mulher e ao meu filho, levo a máquina, se no meio da corrida tiver que parar para fazer umas filmagens às paisagens ou aos atletas que passam não tenho qualquer problema em fazer isso. Não tenho qualquer problema chegar à meta 4 ou 5h depois do 1º isso para mim não é muito relevante.

 

Blog – Queres acrescentar mais alguma coisa?

 

DM – Em termos de figuras de referência, uma das figuras é o Carlos Sá. Uma pessoa com quem partilhei algumas experiências e é um modelo de organizador, é um modelo de atleta, no qual eu me revejo é uma pessoa, extremamente, humilde, extremamente, simpática, uma pessoa muito afável, extremamente conhecedora, uma pessoa a quem o sucesso não estragou a cabeça, digamos assim. É daqueles modelos competitivos em que eu me revejo apesar das vitórias que ele conseguiu continua a ser uma pessoa extremamente bem integrada na sociedade.

 

Blog – É uma referência o Carlos Sá…

 

DM – Olha também me revejo na tua forma de estar, na forma como tu encaras os Desafios, na paixão que tu pões nos teus Desafios.

 

Blog – Obrigado!

 

DM – Não é naquela luta desenfreada eu fiz, eu consegui, é conseguires fazer as coisas com paixão ainda com aquela forma de fazer antiga… as pessoas hoje em dia não compreendem muito bem mas é manter a raiz do homem em relação ao mundo que o rodeia vamos conhecendo o mundo de forma espontânea, de forma natural e revejo-me muito na forma como tu o fazes.

 

Blog – Obrigado! Tu tens uma experiência enorme na área do desporto!

 

Fala-me um bocadinho da relação com os Paraquedistas… o que é que aprendeste que possas utilizar numa “Prova dura”?

 

DM – A experiência nas Tropas Paraquedistas foi extremamente enriquecedora, foi um marco, eu acho que é um marco para todas as pessoas que por lá passam, ninguém foi para lá obrigado as pessoas vão para lá voluntariamente e concorde-se ou não com algumas coisas que lá se passaram o facto é que aquilo tentava nos preparar. Visa a preparação do individuo para a superação (por vezes, pode acontecer a morte no campo de batalha). Esse processo de treino pelo qual nós passávamos físico e psicológico foi muito importante na minha vida, compreendi até que ponto é que poderia ir, percebi que quando os músculos dizem que já não podes mais a cabeça diz que podemos continuar, a nossa determinação é que nos faz ir um pouco mais além e isso reflete-se nas provas, nos treinos que nós fazemos. Foi uma grande escola de vida.

 

Blog – Fantástico! Foi um privilégio, foi aí que te conheci e deixa-me dizer-te que admiro-te muito, a tua honestidade e a forma como estás nas diferentes áreas do desporto, esse teu humanismo a forma séria de estares nas coisas…  séria, frontal, isso é uma capacidade de facto inata.

 

DM – Eu tento ser 1 pouco assim pela educação que recebi do meu pai, da minha mãe, pelos familiares maternos que eram católicos mas infelizmente nem todo a gente gosta (risos), da forma como… há pessoas que não gostam de todo de pessoas honestas e sinceras… é o mundo e as pessoas vivem nele.

 

Blog – Ganda Malva, és o maior! Acho que esta é a 1ª das conversas porque ainda vou convidar-te lá para a frente para outras conversas, sobre as tuas descobertas, e espero acompanhar-te a Drave, temos que agendar Drave.

 

DM – (risos) tu é que tens que agendar!

 

Blog – Muito obrigado pela Entrevista!

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